sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Minha Sinestesia... Futebol/Carnaval na Visão e Audição.

Lendo o site No pé da Conversa, e ouvindo troças na Rua do Bom Jesus revezarem músicas dos três times mais tradicionais da capital, li:
"Recife, Carnaval de 1975. Ao entrar no Clube Português, na noite da segunda-feira, o presidente Carlos Costa tremeu nas bases quando notou que boa parte da decoração com motivos carnavalescos estava encoberta por enormes bandeiras do Náutico, Santa Cruz e Sport, os três clubes que dividem a preferência dos pernambucanos no futebol.Pendendo dos camarotes situados no primeiro andar, as bandeiras davam um colorido especial à festa, mas ao mesmo tempo deixavam no ar um certo prenúncio de tempestade.Torcedor do Náutico, mais que depressa Carlos Costa conversou com os regentes das duas orquestras contratadas para animar o baile, proibindo a execução de qualquer música que dissesse respeito aos três times. Uma medida, à primeira vista antipática, mas que tinha lá sua razão de ser, conforme recordou certa vez, em entrevista a mim concedida, o então presidente do Português.- Parecia uma praça de guerra, e se não tivesse tomado aquela providência, haveria muitas brigas. Era uma fase em que a torcida do Sport estava impossível, empolgada com a formação do time que passou a ser chamado de Seleção do Nordeste. E as outras torcidas não queriam ficar por baixo, disse Carlos Costa.
O Sport estava entrando no décimo terceiro ano sem comemorar o título de campeão pernambucano e vendo os outros fazerem a festa: Náutico – 1963/64/65/66/67/68, Santa Cruz – 1969/70/71/72/73, e Náutico – 1974. Os torcedores adversários, na gozação, já começavam a chamá-lo de Leão XIII. No máximo, o Leão da Ilha podia se gabar, se é que havia motivo para isso, de ser heptavice, pois durante sete anos seguidos fora vice-campeão. Foi quando o arquiteto Jarbas Guimarães assumiu a presidência do clube, disposto a levá-lo a tirar o pé da lama de qualquer maneira, inclusive, indispondo-se com parte da imprensa, e fazendo valiosas contratações, tendo o centroavante Dario, o Dadá Maravilha como carro-chefe. Náutico e Santa também tinham boas equipes, o que fez a rivalidade recrudescer, mas o objetivo do Sport terminou sendo alcançado.
Foi salutar a providência de Carlos Costa, sem dúvida, uma vez que nas duas noites anteriores o tempo andara esquentando por causa da guerra das torcidas, tudo em função da velha rivalidade entre Náutico e Sport, que vem desde as primeiras regatas no rio Capibaribe, nos primórdios do futebol em Pernambuco, no início do século passado.Houve um momento no domingo em que a orquestra tocou o Come e Dorme, do Náutico, e um torcedor rubro-negro subiu ao palco para exigir a execução do Casá, Casá, que glorifica o Sport. Trata-se de dois frevos-de-rua compostos pelo imbatível Nelson Ferreira, que não torcia por nenhum dos dois, porquanto era tricolor.Até os irmãos Reginaldo, na época conselheiro do Sport, e João de Deus Ribeiro, dirigente do Náutico, que ocupavam camarotes vizinhos, cada qual com o pavilhão do respectivo clube, terminaram se estranhando. Pedro de Paula Barreto, Pedrão, então conselheiro do Náutico e naquele tempo um dos advogados da transportadora da qual Reginaldo e João de Deus eram diretores, e que estava no recinto alvirrubro, lembra um incidente surgido a partir do momento em que alguém rasgou a bandeira rubro-negra:- O pessoal de lá veio tomar satisfação com a turma de cá e começou um bafafá, com muito empurrão, que quase termina em cacete.Foi mais um, entre inúmeros entreveros surgidos naquele Carnaval, no Português. Folião inveterado, Pedrão recorda que dois anos depois da tal proibição imposta por Carlos Costa, as músicas dos times voltaram à cena no mesmo Clube Português do Recife, mas por pouco tempo:- Tocaram o frevo do Náutico, e jogaram um balde de gelo, lá de cima, na orquestra. Na vez do frevo do Sport aconteceu a mesma coisa. Aí o maestro José Menezes desistiu.
Se o baile é num dos três clubes, logicamente só as músicas do dono da festa são tocadas. Aí, torcedor de outro time que por acaso esteja pisando o terreno alheio, respeita. Do contrário, já se sabe o que acontece.A exemplo do Português, o Cabanga Iate Clube e o centenário Clube Internacional do Recife não são de futebol e reúnem gente de todas as tendências. Nos dias atuais já não existe aquele clima beligerante de 1975, quando os ânimos viviam acirrados e os torcedores se exaltavam facilmente. Mas há muita cautela e evita-se entrar na guerra musical futebolística. A música de um é automaticamente vaiada ou mesmo deturpada pelos torcedores adversários. E às vezes o pau come solto. Dessa maneira, o mais prudente é alijá-las do repertório.Tornaram-se famosos os encontros na segunda-feira de carnaval entre os maracatus Timbu Coroado e Leão Coroado, reunindo remadores e torcedores do Náutico e do Sport, respectivamente. O mais das vezes ficava tudo nas chacotas, indo ao máximo a insultos mais ásperos.BURUÇU EM CIMA DA PONTENuma certa ocasião, entretanto, a coisa esquentou. Foi em 1969. O Náutico havia sido hexacampeão pernambucano no ano anterior, decidindo com o Sport e conquistando um título que ainda hoje é festejado em verso, prosa, música e lorota por sua torcida, título que foi perseguido infrutiferamente duas vezes por Santa Cruz (1974) e Sport (2001). Todavia, ambos tiveram que se contentar com o pentacampeonato.
Naquele Carnaval, a turma do Timbu Coroado aproveitou uma charge publicada pelo extinto Diário da Noite, na qual aparecia um leão miando, e levou-a pelas ruas da cidade, como estandarte. Os dois maracatus encontraram-se em plena ponte Duarte Coelho, no centro da cidade, quando alguém do Leão Coroado achou de rasgar a charge. Houve um tremendo buruçu, com gente se engalfinhando e gente correndo para sair da confusão.Timbu Coroado, além de ser o nome do bloco alvirrubro, é um frevo-canção que passou a ter o significado de hino oficial para os torcedores do Náutico. Foi composto entre os anos 1938 e 1940 por um trio de remadores alvirrubros, com o propósito não apenas de enaltecer o Náutico, mas também de mexer com os rubro-negros.O pianista Edvaldo Pessoa, um dos três autores da música, disse-me certa vez:- Compus o Timbu Coroado com Jair Barroso e Samuel (também conhecido como Turco), um carioca que vivia aqui e que remava com a gente. Fizemos a música a toque de caixa, na nossa garagem, que ficava junto de onde é hoje o cinema São Luís. Era de lá que o Timbu Coroado saía. O pessoal decorou logo e saiu cantando. Foi um sucesso. Falamos em acordar cedinho porque remador treina de madrugada.
A letra traz alguma ironia com o casá, casá, grito de guerra da torcida rubro-negra, Vejamos:
O nosso bloco é mesmo infezado (sic)
É o timbu, é o Timbu Coroado
Desde cedinho já está acordado
É o timbu, é o Timbu Coroado
Entre no passo, que esse passo é de amargar
Essa turma é mesmo boa e no frevo quer entrar
Não queira bancar o tatuEu conheço seu jeito, você é timbuEsse negócio de casá, casá, casáÉ conversa pra malucoNinguém quer se amarrarTimbu sabe isso de corCasar pode ser bomNão casar é melhor". Pelo Jornalista Lenivaldo Aragão.
Bom... agora vou lá para a rua. Feliz carnaval para todos! Briquem em paz e usem camisinha!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Santa/Copa do Brasil - Americano quente e indigesto

Que a Copa do Brasil rende muitos lucros - inclusive financeiros - a curto prazo, todos já sabem. Mas nas últimas edições da competição, o Santa Cruz parece esquecido destes detalhes e não está rendendo em campo. Ontem, em Campos dos Goytacazes, no Rio, o time coral acenou um aumento no "prazo de inércia" na Copa do Brasil. Pela atual fase complicada, falar em levantar a taça é um assunto tão distante quanto a distância entre as avenidas Beberibe e Abdias de Carvalho. Mas fazer a alegria de Ulbra-RO e FAST-AM assuta até o próprio Terror do Nordeste.
Me surpreendeu, ontem, a falta de paciência do treinador Márcio Bittencourt. Mesmo que o plano fosse não perder no Rio, mudar tão repentinamente esquema poderia ( e foi) jogar quase tudo por água abaixo. Perder fora de casa por um gol é deixar os prognósticos cambaleantes para a fase seguinte. Mas perder por diferença de dois, sem fazer gol, obriga a tarefa pesada como o Arruda e delicada como a bela grama do estádio.
O Americano surpreendeu no Cariocão 09. Mas o Santa deve pensar em eliminar as várias surpresas que tanto mancham sua história nos últimos anos. Seguidamente, não passar da primeira fase uma vez é ruim; duas é péssimo; três seria algo fora do sério ou de "série".

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sport/Libertadores - Matar dois leões para que um sobreviva.

A primeira lição foi em 1988. Diante do Universitário, do Peru, o Sport aprendeu que faltou muito pouco para fazer mais que seis jogos na Libertadores da América. Agora, 21 anos depois, em sua segunda oportunidade na competição clubística mais prestigiada da América, o Sport, no "Grupo da Morte" tenta uma sobrevida em relação à estréia. Pouco conhecido na América e sem favoritismo na chave, o rubro-negro pernambucano tentará abrir novos caminhos, encontrando novas chaves na América.
Ontem, em Quito, não deu para o Periquito! A LDU, atual campeã da América, demonstrou que, literalmente, em casa, os ventos sopram a seu favor. Além disso, o time equatoriano tentará mostrar que Guerón e Bolaños não levantaram "sozinhos" a taça no ano passado. Se no Paulistão o Palmeiras estava "acima de todos" que apareceiam, ontem ficou abaixo do esperado na altitude.
Logo mais, em Santiago, o Sport enfrentará o Colo-Colo. Pontuar no Chile é difícil, mas fundamental. Apenas ganhar todas na Ilha pode não ser suficiente. Em São Paulo, o Verdão deve ser complicado. Em Quito, a LDU deve ser tão complicada que falta ar só de pensar.
Para a fase seguinte, caso a equipe pernambucana conquiste uma vaga, com certeza, enfrentará adversários ainda mais qualificados. Mas em um quesito há melhoria para o time leonino. Forte defensivamente, a equipe comandada por Nelsinho Batista é copeira, identidade que amplia as possibilidade de uma boa campanha (de quartas em diante...) rubro-negra na fase seguinte. Assim, no mata-mata, a esperança de sobrevida leonina ficaria ampliada.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pernambucano 09 - 11ª rodada (final da metade da festa)

Se a conclusão do primeiro turno aumentou as distâncias entre os primeiros colocados, diminuiu em relação aos que fogem da degola. Nas últimas rodadas, algumas equipes que andavam bem "por baixo" começaram a engatinhar uma reação. Assim, Vitória e Petrolina diminuiram para três pontos a distância para o 10º colocado, o Serrano. Na capital, três situações bem distintas. O Sport, passeando, encontrou uma taça de campeão do primeiro turno. E olhe que o Leão passeou pensando na América. Tentando vaga na quarta divisão, ficar em segundo fez os tricolores olhar com bons olhos a colocação conquistada. Cheio de problemas, o Timbú, forte no papel, acabou fazendo um papelão no primeiro turno. Com isso, estão lavando a roupa suja nos Aflitos. Seria conversa para boi dormir ou para Timbú acordar? Veremos o segundo turno... quem sabe se depois das Cinzas, o Pernambucano esquente mais na segunda metade?
Destaques
Positivo: Eduardinho, Jorge Guerra e Fernando Henrique do Vitória. A Vitória do time das Tabocas teve grande parcela deste trio.
Negativo: Serrano. O Jumento nunca mais saiu do lugar. Má fase em Serra Talhada.
Sport 2 x 0 Náutico - Desta vez, no jogo, as reclamações de Roberto Fernandes fariam sentido. Aguado, o Náutico fugiu às características do Clássico das Emoções. Falam, inclusive, que os atletas tentam derrubar o treinador alvirrubro. Caso seja verdade, há um problema também no comandante, já que esta não é a primeira vez que tal comportamente acontece. O Leão não tinha nada a ver e pensando no Colo-Colo, os atletas já sentaram na poltrona do avião rumo ao Chile.
Santa 1 x 1 Vitória - Todos sabem que o Santa não é Call Center, mas precisa de ligações que o ataque funcione. O time coral deu alguns agradáveis e até, segundo os próprios corais, surpreendentes resultados. Mas a estruturação provou ser frágil, bastou Jorge Guerra acertar para o Santa perder a paz em campo. O lanterna do campeonato ainda teve chance de brilhar um pouco mais sob os fortes refletores do Arruda.
Porto 1 x 2 Ypiranga - O Tricolor caruaruense começou bem o campeonato, mas depois da crise, o Porto não funcionou como antes. Ser líder no início e depois dividir a quarta colocação com mais duas equipes é considerada uma crise... pelo menos de desempenho. Caindo pelas tabelas, a Máquina de Costura estava sendo desvalorizada. Melhorou um pouco.
Sete 1 x 1 Central - Em Garanhus, a vida, do jogo, começou aos 35 do segundo tempo. Fábio Silva fez o primeiro e Israel o segundo. Assim com o passar do tempo, mesmo com Careca em campo, a sensação foi de "O tempo passou, quanta diferença no placar, mas o resultado, continuou o mesmo!".
Petrolina 3 x 0 Serrano - Não era a Sociedade Alternativa, mas o Paulo Coelho comemorou a primeira vitória. Não era a Disneylândia, as lamentações de Maicon foram as vibrações de Jackson. Com personalidade, em casa, a Fera Sertaneja pode não assustar crianças, mas quem sabe os próximos adversários?! O Serrano continua descendo a ladeira. Talvez o Jumento esteja deixando a região serrana e vindo brincar carnaval na capital.
Salgueiro 1 x 0 Cabense - Classificado para a Série C do Brasileirão, o Salgueiro lembra o insoso time do Sport no Brasileirão do ano passado - classificado para a Libertadores. Talvez o Salgueiro tenha aprendido muita coisa com as várias partidas entre as equipes no Pernambucano passado. A vitória salgueirense mantém o time no meio da tabela de classificação.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pernambucano 09 - 10ª rodada (Leão apressado)

O Sport comemorou o primeiro turno sobrando na tabela de classificação, mas de olho na escassez de datas na tabela de jogos. Com méritos, deixou uma diferença de cinco pontos - que pode cair para dois - para o Santa, segundo colocado. Racional, o treinador Nelsinho Batista já admitiu que a prioridade agora é o Colo Colo, jogo sequente ao Clássico dos Clássicos. Na atual circunstância, para o rubronegro, vencer na estréia da Libertadores é mais importante que um êxito no jogo contra o Timba. Mas o Náutico não quer saber dessa história, nem deve. O Náutico que saber de outra história... uma história que vai completar 100 anos. O Sport conquistou o primeiro turno invicto, mas não foi campeão invicto! Pode até ser. Porém, uma vitória alvirrubra, no sábado, pode reacender um pouco do dilema furado do Sport Quase Campeão Pernambucano Invicto de 2007. Além do mais, o apressado agora sou eu, já que não seria o campeonato, mas sim o turno.
Destaques
Positivo - Moacir. De volta ao Luiz Lacerda, brilhou mesmo improvisado.
Negativo - Petrolina. Fez feio na estréia "atrasada" no Paulo Coelho. Virada depois de 2 a 0 em casa, mesmo que para um time de maior tradição, é sempre vexatório.
Central 1 x 3 Sport - A Patativa colocou a faixa de Campeão no Leão. Em campo, os donos da casa ofereceram mais espaço que o Pátio do Forró. Mesmo assim, para não correr riscos, o Sport pouco correu. Fez um aos seis, outro aos 40. No segundo, o Leão, com uma corda na mão, apenas esperava a Patativa andar pelo Pátio e cair na armadilha de pássaros.
Petrolina 2 x 3 Santa - Depois de muitas pancadas, o Tigre, em casa, rugiu... e logo depois adormeceu. Mais uma vez, acordou ressacado. Marcelo Ramos nem ligou para o peso da taça leonina e aumentou sua artilharia em cima de outro felino selvagem. Mesmo com a distância das sedes superior a 700 km, Petrolina e Santa Cruz se comportaram como vizinhos fofoqueiros. Na arquibancada do Nildo Perreira, protestos a FBC; nos vestiários, críticas dos corais às condições estruturais.
Náutico 1 x 0 Porto - Quem se atrasou um pouco para chegar aos Aflitos não viu o gol. Enquanto Kuki fechou os olhos, Gilmar abriu o placar. Até mesmo os pontuais alvirrubros, mais uma vez, não gostaram do que viram. Além da antecipação da próxima rodada, a torcida Timbú ficou na bronca com o time. Independente de ser marítimo ou fluvial, o Porto é Náutico.
Ypiranga 0 x 3 Sete - Talvez eliminando todos os pecados capitais, o Sete começou a reagir bem no Pernambucano. Em Santa Cruz do Capibaribe, o time de Garanhus encontrou tinta e pintou seu nome na Máquina de Costura.
Salgueiro 1 x 1 Serrano - No Clássico Sertanejo, nenhuma comemoração por vitória. Pior para o Jumento que há quatro jogos sem saber o que é vitória e beirando a zona de degola parece o protagonista da bela "Luar do Sertão".
Vitória 0 x 2 Cabense - No Carneirão mais expulsões que gols. No encontro do cartão vermelho com a Regra 10 do futebol, 4 a 2 para as caminhadas antecipadas para o chuveiro. Ainda sem vencer em casa, o torcedor do Vitória pelo menos vibrou com duas expulsões do adversário.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sandro - Cabeça quente na cuca fresca

Próximo do 36º aniversário de vida, o zagueiro Sandro ficará marcado na mente de muitos torcedores por sua raça, vigor, liderança e, sem sombra de dúvidas, o torpedo no pé direito. Mas além das glórias, uma um espeço para imagem negativa do atleta deverá ocupar a memória dos que gostam de futebol.
Depois do Clássico das Mutidões, o experiente jogador deu uma declaração que extrapola o lado torcedor (tricolor, assumido pelo próprio) sobre profissional; do emocional sobre o racional. Declarar que a tabela do Campeonato Pernambucano foi "feita para o Sport" é uma "cafofa" argumentação de quem não tinha o que falar. Ao reclamar dos poucos jogos do Santa em casa no primeiro turno, o jogador se esquece do pedido da própria diretoria coral para preparar melhor o estádio do Arruda - imagina se Sandro fosse jogador do Petrolina... Além disso, a sequência de clássicos não favorece o time da Praça da Bandeira. Se o problema é jogar dois clássicos em finais de semana seguidos, o favorecido seria o Náutico. Na minha ótica, nenhum dos três foram beneficiados neste aspecto. E a sequência dos clássicos sempre seguiu a ordem do atual campeão jogar as duas últimas, ficando o "grande" sequente na alternância e o subsequente com os dois primeiros.
Falar "demais" alguma vez é um problema comum a qualquer cidadão. Principalmente quando se está de cabeça quente. Mas não é a primeira vez que a boca de Sandro solta uma "ebulição" de palavras desconexas.
No Campeonato Pernambucano de 2005, justamente com a camisa do Sport, Sandro chegou a declarar que os erros de arbitragem só aconteciam para prejudicar o rubro-negro. E, ainda, que se o time leonino tinha ido mal no Pernambucano por causa da arbitragem, este problema não aconteceria no Campeonato Brasileiro daquele ano... As previsões de Sandro foram tão equivocadas que naqule ano o país acompanhou o maior escândalo da arbitragem nacional, com Edilson Pereira e José Paulo Danelon.
Parece que em por qualquer um dos lados, no Clássico das Mutidões, o zagueiro Sandro sempre aparece em alguma polêmica. Até mesmo tentar "dar uma esfriada" na cabeça de Sandro pode ser complicado. Com a cuca fresca, podemos lembrar a confusão que deu quando o goleiro Maizena, em 2005, contra o Santa, tentou livrar o zagueirão de levar a pior com o árbitro Cláudio Mercante. Sandro recebeu o amarelo e acabou acusado o camisa de 1 pelo fato.
Raça e vontade de vencer, com qualquer que seja a camisa, não justifica tal comportamento.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pernambucano 09 - 9ª rodada (Clássico de encontrar a cabeça)

Clássico é detalhe. No das mutidões, dois atletas não perderam a cabeça. Ciro, apesar da falta de experiência, teve personalidade e um torpedo no pé. Depois de perder a titularidade e artilharia do campeonato, o jovem atacante encontrou uma falha de Anderson. Anderson, lateral do Santa, já esteve envolvido, indiretamente, em problema com a imprensa, foi xingado pela torcida e estava se recuperando de contusão. Mas nada disso fez com que o atleta tricolor perdesse a cabeça. Ou melhor, a cabeça de Adilson achou a bola. Ainda, Marcelo Ramos teve a grande chance de desequibrar... mas quem desequilibrou e quase caiu foi Márcio, que driblou Magrão, mas apenas olhou para o chão. Agora são duas rodadas que dificilmente deixariam o Leão da Ilha tonto.
Destaques
Positivo: lateral Adilson. Apesar de todos os problemas coletivos e particulares que o atleta atravessava, não perdeu a cabeça no clássico. Ao contrário, a cabeça de Adilson encontrou a bola.
Negativo: árbitro Adriano Siebra. Sucessão de erros nos Aflitos. Além de utilizar Dois pesos, dois penaltis, e diferentes medidas para um goleiro se "antecipar".
Náutico 2 x 1 Petrolina - Kuki não estava prestes a fazer o milésimo gol, nem Kuki é Pelé. Mas Adriano Siebra queria aparecer na história como Manoel Amaro de Lima. Quem não gostou desta história foi o time vistitante. Foi ruim para o Petrolina, pior para Ari. O Timbú não nada a ver. Aliás, a torcida viu, não gostou e xingou. Se Antônio Conselheiro falava que o mar viraria sertão, em Conselheiro Rosa e Silva, o Náutico virou para cima do time do Sertão.
Santa 1 x 1 Sport - No primeiro tempo do Clássico, até em campo vimos duas mutidões. Uma em frente a barra de André Zuma, outra em frente a barra de Magrão. No segundo, alguns poucos jogadores resolveram visitar mais o goleiro oponente. De certa forma, foi um jogo com dois times assustados. Até mesmo a teórica vantagem técnica se assustou e saiu correndo do Arruda. Apesar das poucas faltas, não faltou nada ao clássico.
Cabense 2 x 1 Porto - Perto de Suape, o Porto de Caruaru viu o sonho de conquistar o primeiro turno exportado para o segundo. Aproveitando a falta de pontaria do Tricolor do Agreste, a Cabense venceu fazendo três gols. Até gol contra fez. As duas equipes começaram até bem o Pernambucano, mas acabaram olhando pegadas de cavalo vindo do Paraguai.
Central 2 x 0 Vitória - Apesar da associação de imagem através do padrão, uma boa campanha do Central não seria zebra. Com a maior folha salarial do interior, o time do Luiz Lacerda fez seu o seu papel. Na estréia de Pedro Manta, o Vitória não mentiu aos que diserram que o treinador tem uma dura missão.
Sete 1 x 0 Salgueiro - No Gigante, um placar pequeno: 1 a o. Tranquilo, aos sete, o Sete fez o único gol do jogo. Assim, esperou a hora passar e o (Antônio) Hora (Filho) apitar. O Lobo-guará estava caindo, mas não estava morto. O Carcará estava subindo, mas teve que diminuir as batidas das asas.
Serrano 2 x 3 Ypiranga - Depois de ser estrassalhado no Arruda, o Serrano tentou consertar as coisas com a Máquina de Costura. Problema: a Máquina de Costura parece ter elinhado mais time sertanejo. Em Serra Talhada, já estão temerosos por uma possível nova fase do jumento empacar.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Copa 2014 - Espacialmente e mentalmente: voando sobre as cidades

Assumo que considerei um pouco estranha a metodologia das visitas de técnicos da FIFA pelas cidades brasileiras candidatas a sub-sedes da Copa de 2014. Acompanhando postagem do Blog do Torcedor, li que três representantes da FIFA chegaram ao Recife às 12h20 e sairam às 15h. É verdade que vários fatores socioeconômicos acabam por exigir maior agilidade na execução de trabalhos hoje em dia. Além disso, não podemos esquecer a facilidade da comunicação e acompanhamentos específicos que a tecnologia nos possibilita.
Mas pouco mais de duas horas in loco parece coisa de louco para entender mais profundamente as condições de um município ou estado para comportar jogos da Copa do Mundo. Por exemplo, em São Paulo, como haveria uma avaliação do trânsito se os técnicos partem de helicóptero já do próprio aeroporto? Ou ainda, como avaliariam as condições higiênicas em algumas praias urbanas no Recife?
Na apresentação por slide e nos materiais entregue aos técnicos, com certeza, o Rio de Janeiro não citou o crime organizado como sério problema. Assim, Brasília deixou de especificar sobre uma possível falta de variedade de lazer para o turismo.
Mas, como, em parte, já havia definições (São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte) e fortes pré-definições (as outra sete cidades) para que gastar muito tempo nas cidades? Alguns voos "pro-forma" e povo "de cima" (desta vez, na hierarquia) já define tudo. Aliás, alguns que não andam com os pés no chão, chegam, cheio de pompa, e já definem tudo antes mesmo das avaliações técnicas... Ah, existem critérios!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pernambucano 09 - 8ª rodada (Lavando a honra)

Completando 95 anos e lutando para a reaparecer no cenário nacional, a noite de ontem foi uma "lembrancinha" para o maior público do campeonato até o momento. Aliás, a "lembrancinha" foi cara para o Jumento e não deve se esquecida em breve. Além de lavar o jumento, o Santa lavou a burra. Assim, resta saber se a Cobra Coral também tem água para lavar um Leão. Caso tenha, ainda terá muita dificuldade para melar as pretensões rubro-negras na conquista da primeira taça do ano. O primeiro turno pode ser decidido no domingo, mesmo não conquistando, o time do Arruda tentará honrar a tradição contra o Sport. Assim sendo, será que o Santa seria um grande cidadão e, cumprindo as leis, colocaria água no chope leonino... já que não se pode consumir álcool no estádio?
O Timbú goleou e mesmo com a transmissão pela TV, a sensação era de estar fora dos holofotes já que o time alvirrubro, no momento, sintoniza o segundo turno.
Destaques
Positivo: Para o Santa Cruz. Parece que depois de comer bolo de aniversário o time entrou mais forte. A cereja da noite foi Marcelo Ramos, atual artilheiro.
Negativo: O treinador Roberto Fernandes sempre se superando. A reclamação da vez foi jogar um dia antes que os demais clubes. Lembrando que o Petrolina viajará para o Recife. Ou seja, se houvesse um "prejudicado" pela tabela, esta equipe não seria o Náutico. O treinador alvirrubro precisa lembrar que vai jogar contra o um time que atuou ao mesmo tempo que o Náutico ontem.
Santa 7 x 1 Serrano - O Tricolor entrou em campo pensando em não perder, mas acabou perdendo as contas de tantos gols. Além disso, o time do Arruda insiste em não perder o Sport de vista. De Serra em Serra, O Jumento saiu mal no filme, chegou em Serra Talhada mais assuatdo que sobrevivente do Massacre da Serra Elétrica.
Porto 1 x 0 Sete - O Sete, com seis, continua devendo algo mais na tabela de classificação. Atualmente o time da Cidade do Festivão de Inverno tenta se livrar da fria que o rebaixamento para a Série A2. Para os caruaruense supersticiosos, perder a quarta seguida, poderia ser interpretado como perder uma vaga para a quarta ...divisão. Neste caso, o Gavião se tranformaria em corvo, a ave do "mau presságio".
Ypiranga 0 x 3 Central - A Patativa tem uma relação com o Petrolina. O time sertanejo só "entra em campo" fora de casa. O time de Caruaru, só "joga" fora de casa. Dos dez pontos conquistados, o time do Luiz Lacerda conquistou um em casa. Ou seja, fora, o time se anima na "prova dos nove". Depois de um início promissor, a Máquina de Costura está se enrolando no campeonato. O setor mais complicado é a defesa. Será que Pedro Manta está colocando a defesa da Máquina de Costura em linha?
Petrolina 1 x 2 Salgueiro - O Petrolina é o menor abandonado do Pernambucano. Com menor pontuação e sem casa, o Tigre de Petrolina está até parece personagem do desenho animado Puff. Ontem, quando o Tigrão tentava pegar um pouco de mel, o Salgueiro tirou, mais uma vez, o doce da boca do time petrolinense.
Sport 2 x 0 Cabense - Sabendo o resultado do Santa, o Leão entrou em campo com uma Cobra atrás da orelha. Talvez incomodado em mandar um recado para o Arruda, o time leonino esteve bastante afobado. Para o segundo tempo, Nelsinho deve ter "relembrado" que ganha o time que fizer mais gol no adversário que está jogando, e não mais gols que o próximo adversário se jogar.
Vitória 1 x 5 Náutico - O Carneirão não é a Casa da Dinda. Mas no encontro dos Dindas, o jovem alvirrubro vibrou na lamentação do experiente tricolor. Levando um susto no primeiro tempo, o Náutico soube administrar e vencer com uma sobra próxima a conta de um marajá.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Muricy - Esmorecendo os tricolores

Lendo o Blog do Juca encontrei mais uma relato de "pérola de brutalidade" do treinador Muricy Ramalho. Na verdade, a origem intelectual da crítica é do jornalista Alexandre Machado, da TV Cultura. Acompanhem:
"A ESPN-Brasil, por meio de seu diretor, José Trajano, anunciou ontem que não mais comparecerá às entrevistas de Muricy Ramalho, por causa de sua falta de educação com os repórteres.

Recebi do conceituado e experiente jornalista Alexandre Machado a mensagem que segue:
Caro Juca,
como você sabe sou fanático pelo São Paulo e fâ do trabalho do Muricy;
assisti ontem o Linha de Passe e penso existir uma erro na análise feita.
O Muricy não está falhando com a imprensa; ele falha com o torcedor.
Ele deve aprender que a coletiva não é com a imprensa.
A coletiva é com o torcedor.
Quando o jornalista pergunta, por exemplo, qual a dupla de ataque preferida por ele, quem está perguntando sou eu; sua resposta é para mim, torcedor.
Portanto o desaforo é comigo e não com o reporter da ESPN ou de qualquer outro veículo.
Fora a parte que os repórteres e os seres humanos em geral merecem, claro, maior consideração".
Engraçada essa relação de treinadores que mostram na mídia uma conduta que deve ser semelhante a que usa com a própria famíla. Porém, podemos ampliar a discussão. Durante muito tempo, algumas pessoas se perguntam se o profissionais da comunicação esportiva (mais precisamente do futebol) fazem jornalismo ou entretenimento. O correto, como todos nós sabemos, é a primeira opção, mesmo que possa existir algo de fruitivo para os público espectador. Claro, a culpa não é exatamente do(s) repórter(es) que levou uma "patada" na coletiva. Mas acompanhando o raciocínio de que comunicadores devem animar os espectadores, um Muricy da vida, fica "p" quando em uma necessária pergunta a relação treinador/torcida possa ser abalada. O erro desta história é do treinador do São Paulo, mas precisamos ver também o nosso erro cultural.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pernambucano 09 - 7ª rodada (Emoções saindo de dentro para fora)

No Clássico das Emoções, frustração para os participantes. Fora dos Aflitos, emoção para quem de pernas para o ar assistia tropeços alheios. Com o empate, o Sport engata a quinta marcha deixando os adversários mais distantes da conquista do primeiro turno. Com 100 por cento de aproveitamento e melhor ataque e defesa, o Leão pensa em ser campeão de cabo a rabo. Quarta, vai ao Cabo, enfrentar a Cabense. Se vencer, no domingo, tenta pegar a cobra pelo rabo. Assim pode ser campeão mais cedo. A curiosidade da rodada foi a derrota do Porto, em Caruaru, para o Vitória. O Tricolor do Agreste tem dessas... meio Robin Hood. Pode golear time da capital e perder, em casa, para o lanterna.
Destaques
Positivo: Weldon, do Sport. Fora de forma, mostrou que quer formar o ataque leonino.
Negativo: Violência absurda e patética motivada pelo futebol. Torcedor ser baleado?!
Sport 3 x 1 Petrolina - No primeiro tempo os mascotes fizeram jus a ciência. A genética já conseguiu. Mistirar Leão com Tigre, resulta em Ligre. Uma criatura assustadora, estranha, lenta e esquisita. O primeiro tempo foi de igualdade. Foi, digamos, um Ligre. No segundo, a ciência deixou de testar a paciencência rubro-negra. O Ligre percebeu que o lado Leão falava mais alto na sua personalidade.
Náutico 2 x 2 Santa - O Clássico das Emoções acabou emocionando os "secadores" rubro-negros. Mesmo jogando melhor, o Timbú ficou duas vezes para trás no placar. Tentando ligação direta, o Santa quase "roubou" a vitória nos Aflitos. Tocando mais a bola, o alvirrubro acaba pensando mais em tocar mais o barco para o segundo turno.
Cabense 1 x 2 Central - O Time de Coringa encontrou alguém mais poderoso que o Batman. Depois de estar vencendo, o time do Cabo foi surpreendido pela sabedoria de Roberto de Jesus. O treinador salvou o time depois de três acertadas substituições. Duas derrotas consecultivas em casa é algo que não cabe ao bom time da Cabense.
Porto 0 x 1 Vitória - O Vitória conheceu um sentido mais amplo de sua própria nomenclatura. O jovem time do Porto acabou se esquecendo da forte reação nos minutos finais do jogo. Será que algum salto alto quebrou o relógio caruaruense? Em casa, é a segunda vez que o Gavião vira presa de um leão.
Salgueiro 3 x 1 Ypiranga - O Carcará bateu a Maquina de Costura, bateu as asas e subiu algumas colocações. No jogo chave para as pretensões de ambas equipes, o time da Capital da Sulanca acabou sem pano para mangas, se cair um pouco mais na classificação, corre o risco de ficar pelado.
Serrano 1 x 1 Sete - Por causa da chuva que caiu em Serra Talhada, o estádio Pereirão precisava ser o Peneirão para que a água não atrapalhasse o resultado. Talvez estressados pela quase impossível condição de praticar futebol, as equipes perderam a cabeça e fizeram muitas faltas. Quando as esquipes encontraram suas cabeças, fizeram, através do jogo aéreo, um gol cada.