segunda-feira, 9 de março de 2009
Pernambucano 09 - 2ª rodada do returno (equidade de liderança)
sexta-feira, 6 de março de 2009
Santa - Do futebol ao "vale-tudo", não valeu nada a pena.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Pernambucano 09 - 1ª rodada do returno (futebol "quaresmático")
Destaques
Positivo: Roger Thompson, do Santa Cruz. Com nome de ator americano, deveria atuar contra o Americano.
Negativo: Serrano. Não esboça reação na classificação. Pode cair para a segundona.
Cabense 1 x 4 Náutico - No Cabo, o Náutico não mostrou um futebol de ponta, mas assumiu a parte mais alta da tabela de classificação no início do returno. Depois de tanto reclamar da falta de "carta na manga", a diretoria decidiu colocar Coringa a disposição do elenco de Roberto Fernandes.
Vitória 2 x 3 Sport - Cantando "Vira, vira, vira..." Os dois Leões entraram em campo ainda sentindo os efeitos das festas nas ruas. Duas viradas no "peludo" (leia-se gramado) Carneirão. Mas quem deitou e rolou mesmo foi o mistão rubro-negro. Na briga de Leão, o da Ilha, até deixou o adversário sentir um gostinho de vitória, mas era fantasia. O de Vitória esboçou uma reação no segundo turno, mas por enquanto é apenas alegoria.
Porto 2 x 0 Serrano - Em Caruaru, o Porto começou dando uma patada atômica no Jumento. Quando o animal sertanejo tentava acordar, o Gavião, em lance rápido, deu números finais ao jogo.
Salgueiro 4 x 1 Central - Melhor do Rio, vencendo na chuva. Salgueiro não é escola de samba, mas prolongou o carnaval na cidade. Garantido na Série C, estrear o segundo turno com goleada é sinal de que as coisas podem ir de regular a melhor no restante do campeonato. A Patativa mais uma vez foi abatida pelo Carcará.
Petrolina 0 x 0 Ypiranga - A festa no "Marco Zero" foi o referencial para a cidade mais longe da capital pernambucana com time na primeira divisão. Se a rede balançou, o vento briga com Marcelo Ramos pela artilharia. Jogo fraco e sem gol deve ser como estar gripado em carnaval com chuva.
Santa 1 x 0 Sete - São Pedro caprichou na chuva. Santa Cruz "caprichou" na chuva de gols perdidos. Sem nenhuma santidade, o Sete continua com todos os pecados. Os 12 mil fiéis não ficaram satisfeitos, mas a esperança do milagre permanece. Melhorar no estadual e permanecer na Copa do Brasil.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Minha Sinestesia... Futebol/Carnaval na Visão e Audição.
O Sport estava entrando no décimo terceiro ano sem comemorar o título de campeão pernambucano e vendo os outros fazerem a festa: Náutico – 1963/64/65/66/67/68, Santa Cruz – 1969/70/71/72/73, e Náutico – 1974. Os torcedores adversários, na gozação, já começavam a chamá-lo de Leão XIII. No máximo, o Leão da Ilha podia se gabar, se é que havia motivo para isso, de ser heptavice, pois durante sete anos seguidos fora vice-campeão. Foi quando o arquiteto Jarbas Guimarães assumiu a presidência do clube, disposto a levá-lo a tirar o pé da lama de qualquer maneira, inclusive, indispondo-se com parte da imprensa, e fazendo valiosas contratações, tendo o centroavante Dario, o Dadá Maravilha como carro-chefe. Náutico e Santa também tinham boas equipes, o que fez a rivalidade recrudescer, mas o objetivo do Sport terminou sendo alcançado.
Foi salutar a providência de Carlos Costa, sem dúvida, uma vez que nas duas noites anteriores o tempo andara esquentando por causa da guerra das torcidas, tudo em função da velha rivalidade entre Náutico e Sport, que vem desde as primeiras regatas no rio Capibaribe, nos primórdios do futebol em Pernambuco, no início do século passado.Houve um momento no domingo em que a orquestra tocou o Come e Dorme, do Náutico, e um torcedor rubro-negro subiu ao palco para exigir a execução do Casá, Casá, que glorifica o Sport. Trata-se de dois frevos-de-rua compostos pelo imbatível Nelson Ferreira, que não torcia por nenhum dos dois, porquanto era tricolor.Até os irmãos Reginaldo, na época conselheiro do Sport, e João de Deus Ribeiro, dirigente do Náutico, que ocupavam camarotes vizinhos, cada qual com o pavilhão do respectivo clube, terminaram se estranhando. Pedro de Paula Barreto, Pedrão, então conselheiro do Náutico e naquele tempo um dos advogados da transportadora da qual Reginaldo e João de Deus eram diretores, e que estava no recinto alvirrubro, lembra um incidente surgido a partir do momento em que alguém rasgou a bandeira rubro-negra:- O pessoal de lá veio tomar satisfação com a turma de cá e começou um bafafá, com muito empurrão, que quase termina em cacete.Foi mais um, entre inúmeros entreveros surgidos naquele Carnaval, no Português. Folião inveterado, Pedrão recorda que dois anos depois da tal proibição imposta por Carlos Costa, as músicas dos times voltaram à cena no mesmo Clube Português do Recife, mas por pouco tempo:- Tocaram o frevo do Náutico, e jogaram um balde de gelo, lá de cima, na orquestra. Na vez do frevo do Sport aconteceu a mesma coisa. Aí o maestro José Menezes desistiu.
Se o baile é num dos três clubes, logicamente só as músicas do dono da festa são tocadas. Aí, torcedor de outro time que por acaso esteja pisando o terreno alheio, respeita. Do contrário, já se sabe o que acontece.A exemplo do Português, o Cabanga Iate Clube e o centenário Clube Internacional do Recife não são de futebol e reúnem gente de todas as tendências. Nos dias atuais já não existe aquele clima beligerante de 1975, quando os ânimos viviam acirrados e os torcedores se exaltavam facilmente. Mas há muita cautela e evita-se entrar na guerra musical futebolística. A música de um é automaticamente vaiada ou mesmo deturpada pelos torcedores adversários. E às vezes o pau come solto. Dessa maneira, o mais prudente é alijá-las do repertório.Tornaram-se famosos os encontros na segunda-feira de carnaval entre os maracatus Timbu Coroado e Leão Coroado, reunindo remadores e torcedores do Náutico e do Sport, respectivamente. O mais das vezes ficava tudo nas chacotas, indo ao máximo a insultos mais ásperos.BURUÇU EM CIMA DA PONTENuma certa ocasião, entretanto, a coisa esquentou. Foi em 1969. O Náutico havia sido hexacampeão pernambucano no ano anterior, decidindo com o Sport e conquistando um título que ainda hoje é festejado em verso, prosa, música e lorota por sua torcida, título que foi perseguido infrutiferamente duas vezes por Santa Cruz (1974) e Sport (2001). Todavia, ambos tiveram que se contentar com o pentacampeonato.
Naquele Carnaval, a turma do Timbu Coroado aproveitou uma charge publicada pelo extinto Diário da Noite, na qual aparecia um leão miando, e levou-a pelas ruas da cidade, como estandarte. Os dois maracatus encontraram-se em plena ponte Duarte Coelho, no centro da cidade, quando alguém do Leão Coroado achou de rasgar a charge. Houve um tremendo buruçu, com gente se engalfinhando e gente correndo para sair da confusão.Timbu Coroado, além de ser o nome do bloco alvirrubro, é um frevo-canção que passou a ter o significado de hino oficial para os torcedores do Náutico. Foi composto entre os anos 1938 e 1940 por um trio de remadores alvirrubros, com o propósito não apenas de enaltecer o Náutico, mas também de mexer com os rubro-negros.O pianista Edvaldo Pessoa, um dos três autores da música, disse-me certa vez:- Compus o Timbu Coroado com Jair Barroso e Samuel (também conhecido como Turco), um carioca que vivia aqui e que remava com a gente. Fizemos a música a toque de caixa, na nossa garagem, que ficava junto de onde é hoje o cinema São Luís. Era de lá que o Timbu Coroado saía. O pessoal decorou logo e saiu cantando. Foi um sucesso. Falamos em acordar cedinho porque remador treina de madrugada.
A letra traz alguma ironia com o casá, casá, grito de guerra da torcida rubro-negra, Vejamos:
O nosso bloco é mesmo infezado (sic)
É o timbu, é o Timbu Coroado
Desde cedinho já está acordado
É o timbu, é o Timbu Coroado
Entre no passo, que esse passo é de amargar
Essa turma é mesmo boa e no frevo quer entrar
Não queira bancar o tatuEu conheço seu jeito, você é timbuEsse negócio de casá, casá, casáÉ conversa pra malucoNinguém quer se amarrarTimbu sabe isso de corCasar pode ser bomNão casar é melhor". Pelo Jornalista Lenivaldo Aragão.